Deu a louca na vida

Estou com vontade de chorar, mas é uma vontade boa. É mais uma inquietação, por sentir-me tão pequena perto da vida, pela fome de saber mais, por causa da alegria de perceber minhas próprias mudanças, pelo desespero das confusões e das contradições dos caminhos que estou trilhando. Pela primeira vez não tenho planos definidos, e por mais que as unhas estejam roídas, a paz é maior que a ansiedade. Pode ser a terapia fazendo efeito, ou talvez esteja apenas descobrindo o que é viver. Continue reading

Expectativas: trabalhamos

Que mulher é bicho estranho, todo mundo sabe. Posso afirmar isso com propriedade, afinal eu sou um exemplar.

Uma coisa que eu percebo em nós, seres do sexo feminino, é o talento de nos decepcionarmos profundamente em questões amorosas. Não sei se são os homens que escondem, ou se a coisa é típica nossa mesmo, mas fato é que vejo acontecer a rodo. E sabe qual é a pior parte? É em parte culpa nossa.

Claro, não vamos generalizar pra não ter mulher braba me xingando muito no twitter, mas a gente tem mania de ver coisa onde não tem, viver histórias imaginárias e criar expectativas além da realidade.
Acontece assim: Você conhece um cara, ele te chama de sualinda e você já tá amando. Continue reading

Amores se esgotam?

Minha iniciação à vida sentimental deu-se muito cedo e foi marcada por alguns grandes acontecimentos, dos quais citarei os quatro primeiros.

Com quatro anos, apaixoei-me perdidamente pelo bonitinho da classe. Ele era cheiroso, não era gordinho e não tirava cacas do nariz na frente de todo mundo. Para a idade estava mais do que ótimo. Ele não me dava bola, e naquela época meninos só falavam com meninas para brigar ou para serem namoradinhos. A ilusão durou dois anos, até pouco depois que ele se interessou pela menina mais bonita da classe, da qual apenas lembro o nome, mas sei que não era magrela e dentuça feito eu. Lembro que já era idiota nesse tempo, e me aproximei dele dando dicas de como podia conquistá-la. A imagem de eu recortando um coração do jornal e levando para ele, para que entregasse a ela, nunca sairá da minha cabeça. Tampouco o empurrão que ele me deu, insultado por eu achar que ele precisava da minha ajuda. O ano virou, mudei de turno na escola e o esqueci. Foi minha primeira paixão e a primeira rejeição. O acontecimento número um. Continue reading

Diálogos metaforicados

Esse post rendeu uma conversa metaforicada imaginária. Qualquer semelhança com a realidade é mera perseguição do leitor.

 

_Tenho um embrulhinho de vontades pra te entregar, me lembre quando nos virmos.
_Eita. Imagino, né.
_Vontade de dar um tapa na cara tá num embrulhinho especial, tá?
_Eu sei… Bem sei… Um embrulho com papel pardo e amarrado com barbante.
_Não… tá com lacinho, embrulhei com carinho.
_E a vontade de ter um futuro?
_Hmmm… Acho que essa eu perdi.
_E a de ter histórias, de aprender junto, de pintar o teto de rosa, de decorar a sala?
_Não tá aí contigo? Comigo não está, não sei onde foi parar…
_Eu acho que você tinha que achar. Nem que fosse para dar para outro. Ou para si mesma…
_Não, pra outro tem que ser nova. A minha tá aqui, é grandona e brilhante… e está numa caixinha.
_(Sorriso)
_Mas além da vontade de te dar um tapa na cara, tem a de dar um abraço e tomar um café (sorriso)
_Essa é boa, eu gosto. (do tapa também, mas só na alcova)
_Não, o tapa é bravo.

 

Mentira, né? Não perdeu coisa alguma, apenas escondeu na gaveta do criado-mudo, trancada pra não ceder à tentação de olhá-la toda noite antes de dormir. Daí, se isso tudo fosse verdade, o que não é, teria que ler toda santa vez esse post aqui pra lembrar do que enterrou.

Digite o título aqui

Precisava escrever e não sabia o que. Meus dedos sambavam no teclado, e não saí do título com menos de doze tentativas.
Tá legal, agora são treze tentativas. Agora catorze. Quinze, e não troco mais.

Estou cansada, com sono e minha mente insiste em vaguear por lugares proibidos.
Ela vai, passeia, vê, sente, toca e volta com as lembraças que estavam bem escondidas no fundinho do meu lobo temporal.

Pronto, querida, passeou demais por hoje. Já posso dormir?