Quando me perdi

Foi esses tempos atrás, mas não há muito. As coisas começam a sair do planejado, outras dão errado, e o que você não esperava dá certo. É normal, a vida é cheia disso, de contrariar a gente e nos deixar perdidinhos da silva.

Acontece que essa pessoinha que vos escreve tem uma mania meio controladora de ser. Quando o assunto é o futuro, os planos são feitos cedo. Alguns problemas vêm com isso, como ansiedade, sofrer por antecipação, unhas roídas e noites mal dormidas. Mas como nunca fui parar no hospital por isso, continuei a guardar essas pedrinhas no bolso da jaqueta. Continue reading

Ô mistério

Homem gosta de mulher misteriosa, né? Eu não gosto de homem misterioso. Tenho preguiça de ter que descobrir. Tenho esse meu lado controlador, que curte saber com o que está lidando. Sem contar que muito mistério dá liberdade preu pensar o que quiser e, se depois não é aquilo, dá uma confusão… Daí que se demoro muito a entender qualé a da pessoa, me entedio. Gosto de gente que surpreende, aí sim, e o que é diferente. Quando penso que captei a pessoa, ela BANG! Ela dá alguma de surpresa. Gente misteriosa não, é tanto mistério que até fico com um pé atrás esperando a bomba. Cadê a graça?

Te cutuco me cutuca

Te cutuco, me cutuca, te cutuco, me cutuca, te cutuco, me cutuca. Logo isso vira um looping infinito.

Não sei porque, mas gosto de cutucar as pessoas. Off line, quero dizer. Vivo mexendo com quem tá perto, só pra tirar a pessoa do transe, pra encher o saco ou simplesmente mostrar que estou alí. Nunca precisei de uma razão importante pra isso, mas claro que faço apenas com amigos. Fiquem tranquilos que não saio por aí enfiando o dedo na costela de qualquer um. Continue reading

Amores se esgotam?

Minha iniciação à vida sentimental deu-se muito cedo e foi marcada por alguns grandes acontecimentos, dos quais citarei os quatro primeiros.

Com quatro anos, apaixoei-me perdidamente pelo bonitinho da classe. Ele era cheiroso, não era gordinho e não tirava cacas do nariz na frente de todo mundo. Para a idade estava mais do que ótimo. Ele não me dava bola, e naquela época meninos só falavam com meninas para brigar ou para serem namoradinhos. A ilusão durou dois anos, até pouco depois que ele se interessou pela menina mais bonita da classe, da qual apenas lembro o nome, mas sei que não era magrela e dentuça feito eu. Lembro que já era idiota nesse tempo, e me aproximei dele dando dicas de como podia conquistá-la. A imagem de eu recortando um coração do jornal e levando para ele, para que entregasse a ela, nunca sairá da minha cabeça. Tampouco o empurrão que ele me deu, insultado por eu achar que ele precisava da minha ajuda. O ano virou, mudei de turno na escola e o esqueci. Foi minha primeira paixão e a primeira rejeição. O acontecimento número um. Continue reading

Diálogos metaforicados

Esse post rendeu uma conversa metaforicada imaginária. Qualquer semelhança com a realidade é mera perseguição do leitor.

 

_Tenho um embrulhinho de vontades pra te entregar, me lembre quando nos virmos.
_Eita. Imagino, né.
_Vontade de dar um tapa na cara tá num embrulhinho especial, tá?
_Eu sei… Bem sei… Um embrulho com papel pardo e amarrado com barbante.
_Não… tá com lacinho, embrulhei com carinho.
_E a vontade de ter um futuro?
_Hmmm… Acho que essa eu perdi.
_E a de ter histórias, de aprender junto, de pintar o teto de rosa, de decorar a sala?
_Não tá aí contigo? Comigo não está, não sei onde foi parar…
_Eu acho que você tinha que achar. Nem que fosse para dar para outro. Ou para si mesma…
_Não, pra outro tem que ser nova. A minha tá aqui, é grandona e brilhante… e está numa caixinha.
_(Sorriso)
_Mas além da vontade de te dar um tapa na cara, tem a de dar um abraço e tomar um café (sorriso)
_Essa é boa, eu gosto. (do tapa também, mas só na alcova)
_Não, o tapa é bravo.

 

Mentira, né? Não perdeu coisa alguma, apenas escondeu na gaveta do criado-mudo, trancada pra não ceder à tentação de olhá-la toda noite antes de dormir. Daí, se isso tudo fosse verdade, o que não é, teria que ler toda santa vez esse post aqui pra lembrar do que enterrou.