Das vontades

Ela pegou cada uma e espalhou pela mesa. Alinhou-as e tocou cada uma com os dedos, tentando identificar um padrão.

As robustas e coloridas, pôs em um montinho. Brilhantes e purpurinosas em outro, as pequenas e foscas em outro mais.

Curiosamente, estas últimas contavam mais do que outras. Enfileirou todas as que tinha, das mais olháveis para as menos, e começou a escolher papéis-presente para embrulhar, a fim de entregá-las a seus causadores.

As robustas e coloridas foram envoltas em papel preto, para evitar spoiler sobre sua beleza. Brilhantes e purpurinosas em celofani, para não apagá-las. As pequenas…

Bem, as botou no bolso, levou ao estúdio, dispôs-as no chão e pôs-se a pintar. Pintou de lembranças, colou sonhos, salpicou emoções, e encharcou de tesão. Agora estavam prontas para serem entregues. Estas, sem embrulho algum.


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4 thoughts on “Das vontades

  1. Saudável não é…
    Mas eu decidi entregar as minhas àqueles que as causaram. Acho que eles saberão melhor o que fazer com elas. :P

  2. Pingback: Diálogos metaforicados - pense com a vih | pense com a vih

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