Boas ações

Aí vai um pouco filosofia barata pra vocês.

Quando era menor, eu tinha uma regra para mim mesma: Eu devia fazer pelo menos um boa ação por dia. Deveria ser algo que ninguém me pediu pra fazer e, se possível, que ninguém visse.

Lembro-me de uma vez que vi uma senhora cair na calçada com suas compras -  vááárias laranjas – e eu corri pra ajudá-la a se levantar, terminando com um “Deus te abençoe!“. Eu devia ter uns 14 anos, me senti “A” boa samaritana.

Com o tempo esse costume diário foi deixado para trás, parei de procurar oportunidades. Sei lá porque.

Ontem dormi a tarde toda, como manda o manual do desempregado (aliás, procuro estágio em mídias sociais!), e acabei perdendo o sono a noite. Depois de uma maratona de Glee, resolvi estudar para o exame de hoje (sim, deixei pra última hora). Às 0h30 meus olhos já estavam cansadíssimos de tanto ler no computador. Estava sem sono e sem ter o que fazer.

Foi nessa hora que me deu um ataque de Amélia e resolvi arrumar a casa. Arrumei a sala, meu quarto, a cozinha, tirei toalhas do varal e ainda deixei as coisas mais ou menos prontas para o café da manhã. Depois que minha mãe se mudou para São Paulo, sobrou tudo para o meu pai. Nada mais justo do que o ajudar, certo? Fiz tudo pensando em como ele ficaria feliz ao acordar e ver a casa arrumada, sem nenhum trabalho doméstico para fazer pela manhã.

1h40 fui pra cama. Fiquei até 3h mais ou menos rolando de um lado para o outro, viajando federal na maionese. Então lembrei deste episódio de Friends:

(Se quiser assistir com legenda em português: http://307.to/mMv)

Okay… Se formos pela linha de pensamento do Joey, os meus atos ontem a noite foram guiados pela minha necessidade de sentir-me bem comigo mesma? Digo, secretamente eu queria me sentir bem por ter feito bem a alguém. Pode ser.

Sou a primogênita de quatro filhos. Somos três meninas e um menino. É óbvio que o menino é o paparicado, principalmente pelo meu pai (que hoje é quem está mais presente em casa). Talvez eu tenha feito isso para mostrar pro meu pai que eu também sou importante? Ou talvez pra mostrar que sou mais merecedora de paparicos? Ou ainda para mostrar que posso cuidar de uma casa e ser responsável (explico: tô tentando convencer meus pais a me deixarem morar sozinha em sampa ano que vem)? Será que meu subconsciente queria expressar algo, uma necessidade de sentir-me bem? Todas as minhas boas ações foram feitas para massagear meu próprio ego? “De boas intenções o inferno está cheio“, dizem eles – eles quem? Você sabe… eles! O inimitável coletivo “eles“! (Tirado de Elizabethtown)

Mimimi! Só sei que estava muito cansada, mas sem sono e resolvi fazer algo de útil. Afinal, eu também moro nessa casa e não curto viver num chiqueiro.

Mas não posso deixar de refletir sobre. E então, existe boa ação genuinamente altruísta ou não?

Beijos, pense comigo :*


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7 thoughts on “Boas ações

  1. Pois é, escrevi um post falando sobre isso esses dias. Sobre o fato das pessoas apenas fazerem boas ações e serem caridosas, não porque se importam com os outros, mas porque querem se sentir bem consigo mesmas e com Deus. Não estou dizendo que é o seu caso, apenas me lembrei do que escrevi.
    Mas eu sou da opinião de que tudo o que fazemos é sempre esperando algo em troca, mesmo que não seja material, apenas reconhecimento e gratidão. Talvez seja uma certa carência inata, sei lá. Mas gosto de pensar nos porquês de nossos atos. Isso ajuda a nos conhecermos melhor.

  2. Faz um tempão que tenho pensado neste episódio, não lembrava qual era. Thank you.
    Há um tempo surgiu uma situação na minha vida sobre o fato de eu amar presentear, então tenho pensando sobre isso e lembrei desse episódio. Pensei sobre o quanto me sinto bem ao dar presente, a satisfação. Seria pela retribuição? Pela aceitação? Pela carência inata como citaram acima?

    Começo a pensar que Joey tinha razão.

  3. Isso aee…é bom fazer isso sempre….algo que a gente possa se orgulhar e mesmo que não recebamos os méritos…..vamos saber que foi para o bem.

    Se todo mundo pensasse assim, teriamos um mundo melhor.

    bjo bjo.

  4. Acho que o que importa é o motivo pelo qual vc quis fazer na hora, seja p ocupar o tempo, para manter a casa limpa ou qqer coisa do tipo^^rs

    O melhor é q a casa ficou limpa! rs
    bjoo

  5. Você levantou um tema interessante e que dá margem a muita, mas muita discussão mesmo. Na minha opinião, TUDO o que fazemos é motivado por ego antes de qualquer outra coisa. Então quando fazemos boas ações, o motivador primário é a sensação de nos sentirmos pessoas boas, e todo o resto é secundário. É uma peça onde somos os únicos atores principais, e os outros – os que ajudamos, por exemplo – são coadjuvantes. Estão lá apenas para nos ajudar a constuir o cenário que nos fará sentir que somos pessoas de bem.

    Pessoalmente não acho que isso é motivo para deixarmos de ser pessoas boas, porque por uma motivação ruim acabamos fazendo algo legal, e em certas horas é melhor não pensar nem analisar tanto.

    ;) .

  6. a solidariedade não pode ser artificial, qdo é, vc passa a ser egoísta.
    o problema é q as pessoas nao estao acostumadas a se preocupar com os outros.

    na naturalidade, vc nao vai parar pra pensar mais nisso. só fará o bem.

    vc só precisa fazer o bem, logo, se sentirá bem. o que não pode é querer deixar claro q foi vc q arrumou a casa

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