maria-vai-com… o quê mesmo?

Quarta feira fui ao salão fazer as unhas. Nada demais com exceção do fato de minhas cutículas estarem horripilantes.
Quando a manicura finalmente perguntou qual cor eu ia usar desta vez, entrei em dúvida e:

esse é o esmalte 40º na minha unha

Eu: “Ai, eu queria passar escuro… mas minhas unhas estão curtas. Acho que não vai ficar bom…”
Ela: “Ah, depende da cor que você quer passar. Qual você quer?”
Eu: “Eu queria vermelho. 40 graus talvez… mas será que fica bom mesmo?”
Ela: “Ah, essa cor é linda né? Mas vai ficar muito bom… Tá na moda agora, eu vejo em muitos lugares. Tá usando unha curta com tons escuros. Vou pegar umas revistas pra você ver. Eu sempre vejo as moças da novela usando, e fica muito bonito…”

Beleza, ela me convenceu e eu passei o esmalte vermelho (o tal 40 graus). O duro é que mesmo meio contrariada, acabei gostando e achei bonito.
Depois da curta conversa, eu que não sou de tagarelar com manicura e ficar de fofoquinha em salão de beleza, fiquei quieta com meus pensamentos. Aquele quadro me incomodou um pouco e me fez pensar.

Afinal, qual a influência da mídia nos modismos e no comportamento das pessoas? Qual o fator de maior influência?

O modismo e as tendências acabam por ditar a maneira das pessoas se vestirem, o que falam, o que comem, qual programa assistem na tv, o que fazem na internet.
É quase um briefingquem? o que? como? onde? por que? quando?

O exemplo do esmalte é o seguinte: A manicura viu atrizes famosas em novelas e revistas usando esmalte escuro em unhas curtas. Por ter visto a coisa em famosas e exposta em mídias, entendeu que virou moda. Entendendo que virou moda, automaticamente teve para si que era algo bonito. Ponto.
Eu, que nunca achei bonito tons escuros em unhas curtas, aceitei imediatamente e sem pensar muito a ladainha da mulher só porque ela disse “está usando“. E de repente não achando mais tão estranho, acabo até gostando da coisa. E eu poderia citar várias coisas que fiz e faço por influência de modinha.
Não que eu seja uma maria-vai-com-as-outras, mas convenhamos… quem nunca seguiu modismos? Só se sempre usou roupas costuradas pela avó, nunca comeu fast-food e não usa internet. O modismo faz você, que ganha míseros 465 reais por mês, querer comprar uma calça de 200 ou uma blusinha de 15o. Então quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra!

Hoje, com o retorno de “O clone” numa versão indiana, eu já começo a ver com mais frequência nas ruas pessoas usando aquele trequinho no meio da testa, saião e até tatuagens de henna. É fato indubitável (falei bonito agora, hein!) que as novelas, principalmente da Globo – manipuladora - massificadora de populações que são as de maior audiência na Tv brasileira, têm grande influência no comportamento das pessoas. Direto eu ouço pessoas dizendo que estão usando tal roupa porque a personagem da novela X  usa, ou cortou o cabelo como a personagem Y, etc.
Não são só novelas, séries, programas variados tbm. Eu, particularmente, não aguento mais pessoas dizendo “É mara!”. A situação piora quando é homem usando a expressão… very gay! (Desculpa aos usuários, mas fica a dica). Ainda temos agora o “Ronaldo” e o “peitinho“, que vira e mexe invadem as aulas, as conversas e até os twitters. Esse é o acervo cultural do Brasil!
Na internet vemos isso na popularidade de algumas redes sociais, como o orkut por exemplo. Demorou um pouco para emplacar, mas assim que aconteceu virou moda. E hoje todo mundo tem. Chega a ser pergunta na hora de conhecer alguém: “Oi, qual teu nome? Tem orkut?“. Msn a mesma coisa. Daqui a pouco será o twitter? Flickr? Não dá pra saber… Se na novela das 7 aparecer alguém usando o meme, p.e., já era.

cena do filme "eu robô" reproduzida em lego

Por que as pessoas se permitem ser manipuladas desse jeito?
Estamos parando de pensar e deixando a cultura massificadora nos transformar em robôs?
É tão mais fácil simplesmente seguir o fluxo e apenas acatar o que nos é imposto?
Impressionante o poder que os conteúdos midiáticos têm em nossas escolhas.
Penso que devemos ser mais críticos, fazer de nós nós mesmos. Pensar o que queremos, vestir o que nos agrada, falar qualquer coisa, twittar coisas de nosso interesse, votar em quem achamos melhor (não quem tem a maior popularidade), e assim por diante. Questionar o porque de estarmos agindo de determinada maneira.

Ao invés de ler/ver/ouvir e simplesmente aceitar algo, vou pensar duas, três vezes. Ter mais senso crítico, sem me preocupar em ser aceita. Eu já comecei isso, e não pretendo parar.

Já dizia Descartes: “Cogito ergo sun (Penso, logo existo)”

E eu realmente espero que isso sim vire modismo.

Beijo, pense comigo ;D


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6 thoughts on “maria-vai-com… o quê mesmo?

  1. Como assim, bial? Então quer dizer que você seguiu a modinha e PASSOU ESMALTE ESCURO?
    hehehe
    Mas, isso não vem ao caso. Não agora!

    O que eu acho? Comunicação influencia SIM na vida das pessoas. Não só comunicação, acho que todo tipo de mídia. Senão você nao me chamaria de @brunopola no MSN, nem eu de @vihfreitas, ou até mesmo não usaria o #coideloco, ou falaria RONALDO e você riria na aula… Bom, por ai vai…
    Mas é claro, tudo que é demais, não é bom…
    O que acontece? É a nossa cultura.. O brasileiro tem essa mania, de “viralizar” alguma coisa boa/legal/engraçada/etcetal.

    Fazer o quê, as Casas Bahia dividem em 2398734 vezes um Positivo com 512MB RAM…

  2. Adorei!
    To sem tempo de divagar nas suas idéias… mas li tudin!
    Beijos e continue um ser pensante assim…. rsrsrsrsr

    • O X da coisa é gostarmos da sensação de popularidade que nos é infringida quando alguém gosta do que fazemos. Essa situação da massificação, que você coloca, é algo que me põe em cheque faz tempo: aceitar o modismo a nós imposto ou me tornar um alienígena social wannabe.
      Pra mim ao menos, o segredo tem sido caminhar no fio da navalha.

  3. eu posso dizer q nunca segui modismo. se segui, foi antes dos 14, ctz.

    eu posso dizer tbm q faço questao de nao seguir moda. se tem alguma coisa q eu faço q é moda, é pq analisei bem. e é isso q revela sua personalidade.

    as mulheres sao os principais alvos da moda. eu costumo dizer q mulher nao tem personalidade.

    eu odeio novela, bbb, redetv e revistas tpo capricho.

    gostei desse post pq escrevi uma coisa extremista no meu facebook sobre isso faz uns 3 dias.

    ouça gabriel o pensador – ãh.

    no geral, há sempre inversão de valores. o povo fala q qr ser diferente e no fim faz tudo igual e ainda acha bonito.

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